Construção &
Melhorias para Casa

Panorama e projeções 2025–2026












Índice
A retomada que nasce dentro de casa ..............……………………………………..……….………….. 3
Cenário macroeconômico e desempenho da Construção Civil ..........…….……………….. 4
Custos vs. Confiança: recuperação ainda incompleta ...........………………………………...... 6
Gargalos estruturais: mão de obra e custos ............………………………………………………...…. 8
Infraestrutura: investimentos e projetos estratégicos .........………………….……………...... 10
Oportunidades no varejo ........……………………………………………………….………….…………......... 13
A ascensão de Melhorias para a Casa ...........………………………………………………………….... 14
Estratégia de portfólio: margem e giro como prioridade ........……………………………...... 15
Perspectivas para 2026: recuperação e expansão ..............……………………………….……. 17
O novo motor da construção .........……………………………...……………………………………..…….... 18
Introdução
A retomada que nasce dentro de casa
O setor de Construção & Melhorias para Casa entra em 2026 em um momento de transição relevante, marcado por sinais simultâneos de ajuste e retomada.
Após um período de forte restrição monetária, que impactou diretamente o crédito imobiliário, o mercado começa a apresentar fundamentos mais equilibrados — com desaceleração de custos, resiliência na demanda e reativação gradual das linhas de financiamento.
Ao mesmo tempo, mudanças estruturais ganham força, especialmente na forma como o consumo se distribui, com menor dependência de grandes obras e maior protagonismo do consumidor final.

Objetivo do Relatório:
Este relatório busca analisar, de forma integrada, os principais vetores que devem moldar o desempenho do setor em 2026, combinando dados macroeconômicos, indicadores operacionais e tendências de consumo.
Foco Estratégico:
Mais do que um diagnóstico, o objetivo é oferecer uma leitura estratégica sobre onde estão as oportunidades — seja na expansão da infraestrutura, no avanço do crédito habitacional ou, principalmente, no crescimento consistente do mercado de reformas e pequenas melhorias.
cenário macroeconômico
Indicadores de desempenho
da construção civil

Selic Elevada (15%)
Pressionando o crédito.

Fonte: Banco Central do Brasil
Queda de 20% nos Financiamentos
Financiamentos SBPE:
355.621 → 283.360 unidades (-20%)
R$ 118,4 bi → R$ 97,1 bi (-18%)
*Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), de janeiro a agosto de 2025 vs ano anterior
Setor cresce ~25% acima da média
PIB da construção:
1,3% (2025) → 2% (2026)
PIB Brasil 2026 projetado em 1,6%.

cenário macroeconômico
Ajuste em 2025, retomada em 2026
O ano de 2025 foi marcado por uma forte restrição monetária, com a taxa de juros em patamar elevado reduzindo significativamente o acesso ao crédito imobiliário. Esse movimento gerou um efeito de "crowding out", limitando novos lançamentos e desacelerando o crescimento do setor, que registrou seu ritmo mais fraco desde 2020.
Para 2026, o cenário muda de forma relevante. A expectativa de redução gradual da Selic, aliada a estímulos de crédito, reposiciona a construção civil como um dos principais vetores de crescimento da economia.

Retomada não explosiva, mas consistente — caracterizando um ciclo de recuperação sustentável, com desempenho projetado acima do PIB nacional.
Custos vs confiança
Recuperação ainda incompleta
Indicadores:
Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M)*
Desaceleração no acumulado anual (12 meses):
7,18% (fev/2025) → 5,83% (fev/2026)
Índice de Confiança da Construção (ICST)*
Fevereiro de 2026: 91,5 pontos (-2,5)
Situação Atual (ISA-CST): 91,0 pontos (-2,4)
Expectativas (IE-CST): 92,1 pontos (-2,5)
*Fonte: FGV IBRE
custos vs confiança
Alívio técnico, cautela estratégica
Apesar da desaceleração relevante nos custos de construção, especialmente em materiais e insumos, essa melhora ainda não foi suficiente para restaurar a confiança do empresariado. O setor segue operando em um ambiente de cautela, refletido na queda dos indicadores de percepção tanto presente quanto futura.
Esse descompasso indica que a variável crítica não é mais apenas custo, mas sim previsibilidade. Incertezas macroeconômicas, somadas ao alto custo de capital, continuam limitando decisões de investimento.
Em outras palavras, o setor está menos pressionado, mas ainda não está seguro o suficiente para acelerar investimentos.
Gargalos estruturais
Mão de obra e custos
Desafios
1
Falta de Mão de Obra Qualificada
41,6% dos empresários apontam como principal fator limitante — maior nível desde 2011*
2
Custo da Mão de Obra
Pressão inflacionária real: avanço de 8,98% em 2025*
3
Carga tributária
Principal preocupação do empresariado, alimentada pelas incertezas operacionais da Reforma Tributária**
4
Juros elevados
Dificultam o capital de giro e inibem novos lançamentos**
Sinais de Resiliência

+3,68%
Consumo de Cimento
66,9 milhões de toneladas***


2,9 milhões
Trabalhadores Formais**


886.709
Novos Postos desde 2020
Com carteira assinada**


*FGV IBRE
**CNI (Confederação Nacional da Indústria) e CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
***SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento)
gargalos estruturais
O verdadeiro freio do crescimento
A escassez de mão de obra qualificada atingiu níveis históricos, consolidando-se como o principal limitador da expansão do setor. Esse gargalo estrutural não apenas encarece os projetos, mas também reduz a capacidade operacional das empresas, criando um teto para o crescimento mesmo em cenários de maior demanda.
Além disso, fatores como carga tributária elevada e custo financeiro continuam pressionando margens e decisões estratégicas. O mais relevante, porém, é observar que esses desafios coexistem com sinais de resiliência na economia real, como o crescimento no consumo de cimento e na geração de empregos.
O desafio, portanto, não é falta de demanda, mas capacidade de resposta. A oferta enfrenta restrições.
Infraestrutura
Investimento em projetos estratégicos

R$259bi
Investimentos em 2024*
R$280bi
Investimentos em 2025*
84%
Participação do capital privado


*ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base)
Infraestrutura
Logística e Saneamento — PAC (ABDIB)


Novo Programa de Aceleração do Crescimento*
  • 30 aeroportos
  • 17 ferrovias
  • 45 projetos de mobilidade urbana

Saneamento (São Paulo)*:
Despoluição e expansão de rede com potencial de R$ 30 bilhões.

*ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base)
Infraestrutura
O pilar de estabilidade
O segmento de infraestrutura se consolida como o componente mais estável e previsível da construção civil. Com forte participação do capital privado e projetos de longo prazo, ele atua como um amortecedor das oscilações do ciclo econômico, garantindo continuidade de investimentos mesmo em cenários adversos.
Os projetos em andamento — especialmente em transporte e saneamento — não apenas sustentam o nível de atividade do setor, como também criam externalidades positivas para a economia como um todo.
Nesse contexto, a infraestrutura deixa de ser apenas um segmento e passa a ser um verdadeiro vetor estratégico de crescimento.
Oportunidades no Varejo

Grandes obras em retração
Queda de -1,8% no segmento de grandes obras.
O modelo centrado em grandes empreendimentos perde protagonismo diante de restrições de crédito e custo financeiro elevado.
Fonte: FGV IBRE
Reformas em ascensão
O mercado de reparos e reformas ganha protagonismo, redefinindo a lógica de demanda no setor de Construção. Em vez de grandes projetos, observa-se um volume elevado de pequenas intervenções — mais recorrentes e de menor ticket médio.
Essa pulverização cria um novo eixo de crescimento sustentado no consumo direto, favorecendo modelos de negócio mais ágeis, voltados para conveniência, preço e facilidade de instalação.
Oportunidades no Varejo
Crescimento guiado por praticidade
As categorias de maior crescimento são aquelas que combinam execução simples, custo acessível e impacto imediato na percepção do ambiente. Produtos de banheiro e pisos vinílicos se destacam justamente por atenderem a essas três dimensões, tornando-se ideais para o contexto de reformas rápidas.
O avanço expressivo dessas categorias não é pontual — ele reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. Há uma clara preferência por soluções modulares e de baixo esforço. Isso sugere que o crescimento de Melhorias para a Casa não apenas continuará, mas tende a se consolidar como um dos principais motores do setor.
Categorias em expansão
US$1,05bi
Pisos Vinílicos
Faturamento · +150% YTD
+35%
Vasos Sanitários
YTD · Maior aceleração
+25%
Acessórios
YTD · Ticket médio R$100
+17%
Mobiliário de Banheiro
YTD · 20% em Construção
+14%
Torneiras
YTD · 70% em Construção
Estratégia de Portfólio
Margem e giro como prioridade
Oportunidades de importação da China

Produtos de reposição e fácil instalação
Alinhados ao comportamento DIY do consumidor final
Margens de até 80%
Em acabamento e acessórios importados
Baixo ticket + alta recorrência
Modelo de negócio estável e previsível


Portfólio JoomPro


*Plataformas JoomPro e JoomPulse
Estratégia de Portfólio
Eficiência como vantagem competitiva
O contexto atual favorece estratégias orientadas à eficiência e previsibilidade. Em um mercado mais fragmentado e orientado ao consumidor final, a lógica competitiva passa a ser otimizar o mix de produtos — priorizando itens com alta margem, giro recorrente e alinhados ao comportamento DIY - “faça-você-mesmo”.
Simples e funcionais, esses produtos oferecem não apenas maior rentabilidade, mas também estabilidade de demanda. Nesse cenário, o portfólio deixa de ser apenas uma oferta comercial e passa a ser um elemento central da estratégia de crescimento. Empresas que conseguirem alinhar sortimento, preço e logística terão vantagem significativa na captura da demanda crescente do varejo.

Sortimento Estratégico

Competitividade de Preço


Logística Eficiente

O portfólio deixa de ser apenas uma oferta comercial e passa a ser um elemento central da estratégia de crescimento.
Perspectivas 2026
Políticas públicas e crédito como motores da retomada


A retomada projetada para 2026 é fortemente ancorada em políticas públicas e expansão do crédito direcionado. O programa Reforma Casa Brasil é particularmente relevante por atuar diretamente no segmento de maior crescimento — reformas residenciais — criando um canal direto entre financiamento e consumo de materiais.

A ampliação do crédito habitacional e das regras do SFH complementa esse movimento, expandindo a base de consumidores elegíveis e aumentando a liquidez no setor. Combinado à redução gradual dos juros, esse conjunto de medidas cria um ambiente propício para uma retomada consistente — com forte participação do consumidor final, menor dependência de grandes obras e impacto direto no varejo de construção e melhorias para a casa.
Reforma Casa Brasil: R$ 40 bilhões de investimento*
Focado no financiamento de materiais e mão de obra para reformas, em parceria com a Caixa Econômica Federal
Ampliação do Crédito Habitacional: +R$ 37 bilhões
Mudanças nas regras do financiamento imobiliário e do FGTS devem injetar recursos adicionais significativos no mercado.
Fonte: Projeção da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) - Jornal do Comércio
Redução Gradual da Selic
Combinada às medidas de crédito, cria ambiente propício para retomada consistente com forte participação do consumidor final
4
Elevação do Teto SFH
O Sistema Financeiro de Habitação amplia o valor dos imóveis passíveis de financiamento e expande a base de consumidores com acesso ao crédito.
oportunidades no varejo
O novo motor da construção está dentro das casas — e não apenas nos grandes canteiros de obra
A construção civil entra em 2026 em um ponto de inflexão: saindo de um ciclo de restrição para um ambiente de retomada gradual, sustentado por crédito, políticas públicas e mudança no perfil de demanda. O principal deslocamento estratégico está na transição de um modelo centrado em grandes obras para um ecossistema mais distribuído, impulsionado pelo consumidor final.
Nesse novo cenário, crescimento não será apenas função de escala, mas de adaptação — especialmente na capacidade de capturar uma demanda mais fragmentada, recorrente e orientada à conveniência.




Sobre a especialista
Eleonora Capovilla
Head de Categoria da JoomPro

Com 15 anos de experiência em gestão de produtos, compras e supply chain, Eleonora Capovilla construiu sua carreira com forte atuação em negociação com stakeholders na Ásia.
Ao longo de sua trajetória, passou por grandes varejistas como Renner, Amazon, InBrands e Shoulder, consolidando uma visão estratégica e operacional do setor.
Possui sólida expertise em comércio exterior, logística nacional e internacional, além de desenvolvimento de produtos e campanhas.