
A retomada que nasce dentro de casa ..............……………………………………..……….………….. 3
Cenário macroeconômico e desempenho da Construção Civil ..........…….……………….. 4
Custos vs. Confiança: recuperação ainda incompleta ...........………………………………...... 6
Gargalos estruturais: mão de obra e custos ............………………………………………………...…. 8
Infraestrutura: investimentos e projetos estratégicos .........………………….……………...... 10
Oportunidades no varejo ........……………………………………………………….………….…………......... 13
A ascensão de Melhorias para a Casa ...........………………………………………………………….... 14
Estratégia de portfólio: margem e giro como prioridade ........……………………………...... 15
Perspectivas para 2026: recuperação e expansão ..............……………………………….……. 17
O novo motor da construção .........……………………………...……………………………………..…….... 18

O setor de Construção & Melhorias para Casa entra em 2026 em um momento de transição relevante, marcado por sinais simultâneos de ajuste e retomada.
Após um período de forte restrição monetária, que impactou diretamente o crédito imobiliário, o mercado começa a apresentar fundamentos mais equilibrados — com desaceleração de custos, resiliência na demanda e reativação gradual das linhas de financiamento.
Ao mesmo tempo, mudanças estruturais ganham força, especialmente na forma como o consumo se distribui, com menor dependência de grandes obras e maior protagonismo do consumidor final.
Este relatório busca analisar, de forma integrada, os principais vetores que devem moldar o desempenho do setor em 2026, combinando dados macroeconômicos, indicadores operacionais e tendências de consumo.
Mais do que um diagnóstico, o objetivo é oferecer uma leitura estratégica sobre onde estão as oportunidades — seja na expansão da infraestrutura, no avanço do crédito habitacional ou, principalmente, no crescimento consistente do mercado de reformas e pequenas melhorias.

Pressionando o crédito.
Fonte: Banco Central do Brasil
Financiamentos SBPE:
355.621 → 283.360 unidades (-20%)
R$ 118,4 bi → R$ 97,1 bi (-18%)
*Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), de janeiro a agosto de 2025 vs ano anterior
PIB da construção:
1,3% (2025) → 2% (2026)
PIB Brasil 2026 projetado em 1,6%.

O ano de 2025 foi marcado por uma forte restrição monetária, com a taxa de juros em patamar elevado reduzindo significativamente o acesso ao crédito imobiliário. Esse movimento gerou um efeito de "crowding out", limitando novos lançamentos e desacelerando o crescimento do setor, que registrou seu ritmo mais fraco desde 2020.
Para 2026, o cenário muda de forma relevante. A expectativa de redução gradual da Selic, aliada a estímulos de crédito, reposiciona a construção civil como um dos principais vetores de crescimento da economia.

Indicadores:
Desaceleração no acumulado anual (12 meses):
7,18% (fev/2025) → 5,83% (fev/2026)
Fevereiro de 2026: 91,5 pontos (-2,5)
Situação Atual (ISA-CST): 91,0 pontos (-2,4)
Expectativas (IE-CST): 92,1 pontos (-2,5)
*Fonte: FGV IBRE

Apesar da desaceleração relevante nos custos de construção, especialmente em materiais e insumos, essa melhora ainda não foi suficiente para restaurar a confiança do empresariado. O setor segue operando em um ambiente de cautela, refletido na queda dos indicadores de percepção tanto presente quanto futura.
Esse descompasso indica que a variável crítica não é mais apenas custo, mas sim previsibilidade. Incertezas macroeconômicas, somadas ao alto custo de capital, continuam limitando decisões de investimento.
Em outras palavras, o setor está menos pressionado, mas ainda não está seguro o suficiente para acelerar investimentos.

41,6% dos empresários apontam como principal fator limitante — maior nível desde 2011*
Pressão inflacionária real: avanço de 8,98% em 2025*
Principal preocupação do empresariado, alimentada pelas incertezas operacionais da Reforma Tributária**
Dificultam o capital de giro e inibem novos lançamentos**
66,9 milhões de toneladas***
Com carteira assinada**
*FGV IBRE
**CNI (Confederação Nacional da Indústria) e CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
***SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento)

A escassez de mão de obra qualificada atingiu níveis históricos, consolidando-se como o principal limitador da expansão do setor. Esse gargalo estrutural não apenas encarece os projetos, mas também reduz a capacidade operacional das empresas, criando um teto para o crescimento mesmo em cenários de maior demanda.
Além disso, fatores como carga tributária elevada e custo financeiro continuam pressionando margens e decisões estratégicas. O mais relevante, porém, é observar que esses desafios coexistem com sinais de resiliência na economia real, como o crescimento no consumo de cimento e na geração de empregos.

*ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base)

Novo Programa de Aceleração do Crescimento*
Saneamento (São Paulo)*:
Despoluição e expansão de rede com potencial de R$ 30 bilhões.
*ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base)

O segmento de infraestrutura se consolida como o componente mais estável e previsível da construção civil. Com forte participação do capital privado e projetos de longo prazo, ele atua como um amortecedor das oscilações do ciclo econômico, garantindo continuidade de investimentos mesmo em cenários adversos.
Os projetos em andamento — especialmente em transporte e saneamento — não apenas sustentam o nível de atividade do setor, como também criam externalidades positivas para a economia como um todo.

Queda de -1,8% no segmento de grandes obras.
O modelo centrado em grandes empreendimentos perde protagonismo diante de restrições de crédito e custo financeiro elevado.
Fonte: FGV IBRE
O mercado de reparos e reformas ganha protagonismo, redefinindo a lógica de demanda no setor de Construção. Em vez de grandes projetos, observa-se um volume elevado de pequenas intervenções — mais recorrentes e de menor ticket médio.
Essa pulverização cria um novo eixo de crescimento sustentado no consumo direto, favorecendo modelos de negócio mais ágeis, voltados para conveniência, preço e facilidade de instalação.

As categorias de maior crescimento são aquelas que combinam execução simples, custo acessível e impacto imediato na percepção do ambiente. Produtos de banheiro e pisos vinílicos se destacam justamente por atenderem a essas três dimensões, tornando-se ideais para o contexto de reformas rápidas.
O avanço expressivo dessas categorias não é pontual — ele reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. Há uma clara preferência por soluções modulares e de baixo esforço. Isso sugere que o crescimento de Melhorias para a Casa não apenas continuará, mas tende a se consolidar como um dos principais motores do setor.
Faturamento · +150% YTD
YTD · Maior aceleração
YTD · Ticket médio R$100
YTD · 20% em Construção
YTD · 70% em Construção

Alinhados ao comportamento DIY do consumidor final
Em acabamento e acessórios importados
Modelo de negócio estável e previsível
*Plataformas JoomPro e JoomPulse

O contexto atual favorece estratégias orientadas à eficiência e previsibilidade. Em um mercado mais fragmentado e orientado ao consumidor final, a lógica competitiva passa a ser otimizar o mix de produtos — priorizando itens com alta margem, giro recorrente e alinhados ao comportamento DIY - “faça-você-mesmo”.
Simples e funcionais, esses produtos oferecem não apenas maior rentabilidade, mas também estabilidade de demanda. Nesse cenário, o portfólio deixa de ser apenas uma oferta comercial e passa a ser um elemento central da estratégia de crescimento. Empresas que conseguirem alinhar sortimento, preço e logística terão vantagem significativa na captura da demanda crescente do varejo.
Sortimento Estratégico
Competitividade de Preço
Logística Eficiente

A retomada projetada para 2026 é fortemente ancorada em políticas públicas e expansão do crédito direcionado. O programa Reforma Casa Brasil é particularmente relevante por atuar diretamente no segmento de maior crescimento — reformas residenciais — criando um canal direto entre financiamento e consumo de materiais.
A ampliação do crédito habitacional e das regras do SFH complementa esse movimento, expandindo a base de consumidores elegíveis e aumentando a liquidez no setor. Combinado à redução gradual dos juros, esse conjunto de medidas cria um ambiente propício para uma retomada consistente — com forte participação do consumidor final, menor dependência de grandes obras e impacto direto no varejo de construção e melhorias para a casa.
Focado no financiamento de materiais e mão de obra para reformas, em parceria com a Caixa Econômica Federal
Fonte: *Ministério das Cidades / Caixa
Mudanças nas regras do financiamento imobiliário e do FGTS devem injetar recursos adicionais significativos no mercado.
Fonte: Projeção da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) - Jornal do Comércio
Combinada às medidas de crédito, cria ambiente propício para retomada consistente com forte participação do consumidor final
O Sistema Financeiro de Habitação amplia o valor dos imóveis passíveis de financiamento e expande a base de consumidores com acesso ao crédito.
Fonte:*Banco Central do Brasil

A construção civil entra em 2026 em um ponto de inflexão: saindo de um ciclo de restrição para um ambiente de retomada gradual, sustentado por crédito, políticas públicas e mudança no perfil de demanda. O principal deslocamento estratégico está na transição de um modelo centrado em grandes obras para um ecossistema mais distribuído, impulsionado pelo consumidor final.
Nesse novo cenário, crescimento não será apenas função de escala, mas de adaptação — especialmente na capacidade de capturar uma demanda mais fragmentada, recorrente e orientada à conveniência.


Com 15 anos de experiência em gestão de produtos, compras e supply chain, Eleonora Capovilla construiu sua carreira com forte atuação em negociação com stakeholders na Ásia.
Ao longo de sua trajetória, passou por grandes varejistas como Renner, Amazon, InBrands e Shoulder, consolidando uma visão estratégica e operacional do setor.
Possui sólida expertise em comércio exterior, logística nacional e internacional, além de desenvolvimento de produtos e campanhas.

